quinta-feira, 17 de abril de 2008

Salvem o cinema da TV

Os franceses estão reclamando no cinema deles daquilo que mais irrita os cinéfilos brasileiros no nosso. A invasão do formato televisivo para a telona. Muitas vezes ao invés de assistirmos filmes, vemos novelas de uma hora e meia, ou programas que se funcionam muito bem na telinha o mesmo não ocorre na sala de projeção. A Grande família é bobinho, sim, mas com os sensacionais Marco Nanini e Pedro Cardoso funciona muito bem, e se não é marcante garante boas risadas. No cinema o programa é o mesmo, e a historia curta vira um filme longo cansativo cujas piadas se repetem e o roteiro não vai a lugar nenhum. O que dizer de ‘ Casseta e Planeta’? Se nem o programa é lá essas coisas o filme é pior ainda; ainda tiveram a infelicidade de fazer uma continuação. Não de ' Olga' piegas, sonolento mas que daria certo como uma mini-série de época. Em entrevista para o programa Conexão Roberto D’Ávila, o diretor Daniel Filho, disse que ao pensar num filme que vai dirigir, leva em conta que utiliza dinheiro público, logo deve ter ‘ responsabilidade’ com a verba, e dessa forma produzir um programa para toda família; ou seja ,um misto de malhação, turma do Didi, duas caras, zorra total por ai vai.
Na França, reclamam que o cinema de autor, reconhecido e tradicional no país da novelle vague, perde espaço para o cinema comercial, devido a tv e a interferências do Governo que tem privilegiado os blockbusters do velho mundo. Chamou atenção essa ‘’novidade’’, jamais imaginaria que uma espécie de “Rede globo francesa”, e a ajuda da interfência estatal fosse bater de frente com os filmes sisudos e cabeçudos( no bom sentido). Os franceses tiveram uma formação cultural sem a constante presença dos folhetins , rádios novelas e das atuais tele-novelas logo é impossível pensar num cinema brasileiro com um impacto cultural similar; mas dos poucos filmes que chegam do nosso cinema às salas de exibição, a maioria segue o padrão televisivo. Isso é lamentável. Nosso cinema de massa é conservador, redundante, esquemático, caricato; como bem frisou Arthur Xexéu na coluna dele do Jornal ‘ O Globo’.] “A crise está aqui”.


O cinema nacional precisa de identidade. O público está condicionado às mesmisses televisivas, logo o cinema repete os mesmos vícios e assim garante bilheteria razoável. No argumento de fazer "bom uso do dinheiro público destinado a cultura" Daniel Filho e outros cineastas sustentam o círculo vicioso que não tira nosso ' cinema comercial ' do marasmo. Pelo fim da crise, e pelo surgimento de um cinema ' comercial , blockbuster, com carinhas globais(porque não) mas acompanhado de experientalismo, criatividade, e o mais importante QUE SEJA CINEMA.

6 comentários:

Cláudio Apolinário disse...

brother, concordo em gênero, número e grau com o que vc disse ...
realmente agumas série de tv nacionais ou até mesmo programas deveriam ficar no seu formato principal e não irem para as telas de cinema ...

quando puder dá um blá lá no meu blog:

http://somarassuntos.blogspot.com/

Nat Kleinsorgen. disse...

Eu vou discordar porque adooooro cinema nacional! AUIHAUIHAU :))
Não tô falando de Xuxa, Didi, A Grande Família, que são, sem dúvida, uma cópia dos programas semanais/ finais de ano da Globo. Esse tipo de filme é institucional, serve pra divulgar os programas, e os programas divulgam os filmes, e assim fica tudo um grande VÍDEO SHOW: publicidade pura do meio, do veículo que todo mundo já tá cansado de conhecer.

Sem aplar pros filmes mais novos, nesse mesmo âmbito do Bruno, o que dizer de 'Lavoura Arcaica', 'Bicho-de-Sete-Cabeças', 'Quase Dois Irmãos','O Ano em que Meus Pais saíram de Férias', 'Cão Sem Dono' e muitos outros?
'Olga' eu admito que não é lá o melhor dos filmes, não vou ficar fazendo apologia a ele; mas dvo dizer que até dele gostei!

Minissérie é outro papo. 'Queridos Amigos' não seria fácil de fazer virar filme, por exemplo. Tem coisas que precisam ser sintetizadas, que é a sensação do filme da 'Grande Família', por exemplo. Outras, que se forem sintetizadas dá a impressão de que tá faltando alguma coisa!

Filme formato novelinha não dá; 'Sexo, Amor e Traição' e 'Se eu fosse Você', são exemplos claros disso! Talvez a escolha dos atores faça alguma diferença, não sei. Só que o cinema brasileiro tem grandes cabeças, sim! O que acontece é que a gente acaba consumindo muito mais esse trash aí que é o mesmo da novela das oito.
Acho que é só saber escolher o que locar, tenta aí!

Fernanda Elisa disse...

Faz um tempo que eu estou com a seguinte opinião:

"Temos uma tecnologia fantástica que recheiam os filmes de efeitos, imgens e sons especiais, mas não temos o essencial: UM BOA HISTÓRIA a ser contada."

E isso eu noto no cinema no âmbito global mesmo.
Fui assistir a uma adaptação, antiga mas muito boa, de uma peça de Nelson Rodriguês, Toda nudez será castigada, para o cinema e adorei. O filme teve o que me amarrou na poltrona, e como vc mesmo disse "não me fez comer pipoca": HISTÓRIA.
O cinema brasileiro precisa alcançar muita coisa ainda, mas se derem uma lida nos grandes escritores que temos em nosso país, talvez isso os ajude a serem mais criativos.

P.S.: Apesar das polêmicas em torno de TROPA DE ELITE, eu gostei. É um filme que faz refletir, essa pode não ser a função do cinema, mas eu refleti prazerosamente.

E passarei mais vezes.
E te linkarei nos meus favoritos.
Vc tem personalidade.
Seu blog é de cinema, mas tem uma vida combinada com a sua.

Beijos

Futuros jornalistas disse...

Oi Bruno!!

A aula de Semiótica de hoje girava mais ou menos em torno disso aí. O professor falava de como devemos ter cautela ao analisar os produtos culturais (cinema, por exemplo) para ao criticar o conteúdo, não esquecer da linguagem que o precede. Assim, cada veículo possui uma linguagem própria. Daí vemos sempre críticas do tipo: "o livro 'O Código da Vinci' parece mais atraente do que o 'Filme'". Quem disse isso parece não ter considerado o formato e/ou as capacidades próprias do Cinema ou da Literatura. O mesmo acontece nos filmes baseados nos quadrinhos, ou naqueles produzidos a partir de programas de tv - como é o caso - e outros mais! Às vezes causam decepção, às vezes surpresa, às vezes indiferença...

Acho que isso!

Maxsuel

Futuros jornalistas disse...

Bruno, me desculpe, mas a essas alturas não pode "não ver e não gostar". Que espécie de estudante de jornalismo é você?! Para não gostar, tem que ver, viu?! Você está sendo preconceituoso e perdendo ótimos filmes. Só para citar alguns recentes: 'Cheiro do Ralo'; 'O céu de Suely'; 'Cinema, aspirinas e urubus'; 'Tropa de Elite'; 'O Ano em que meus pais saíram de férias'; 'Quase dois irmãos' e muitos outros. A lista é grande. Estou certa de que você, que tem bom gosto cinematográfico, ia gostar de pelo menos alguns deles. Larissa
- Para registrar: entre os que usam uma linguagem mais televisiva, também há coisa boa, como 'Lisbela e o prisioneiro'.
- Corra já na sua locadora!!

roberta elisa disse...

Cara eu concordo com você sabe, o formato desses tipos de programa realmene não tem nada a ver com cinema, eu não posso muito comentar sobre o assunto porque não sou muito ligada a isso. Existem sim vários filmes nacionais ótimos! LOGICO. Porém os filmes que nascem de programas deixa a desejar mesmo! Eu nãos ei se é o formato, já disse que não posso comentar muito, ams em meu lugar de telespectadora, esse tipo de filme não me agrada muito.