terça-feira, 6 de abril de 2010

Veronika decide morrer


Veronika decide morrer ( 2009 )Direção: Emily YoungRoteiro: Larry Gross, Roberta Hanley.
Algumas adaptações para o cinema são fiéis aos livros e costumam agradar aos fãs das obras literárias - que insistem na idéia equivocada de compará-las com o filme, como se existisse a possibilidade de um livro ser melhor que o filme ou vice versa - outras são polêmicas, não são tão fiéis o que não quer dizer que sejam ruins. Ainda não li ‘Veronika Decide Morrer’ do Paulo Coelho, mas o filme da diretora Emily Young, carece de uma protagonista talentosa, um bom roteiro e direção competente. Resultado: Eis uma adaptação que não funcionou.

Veronika( Sarah Michelle Gellar) é uma bela jovem, com um bom emprego e que mora num confortável apartamento em Nova York. Porém ela não é feliz, julga a vida que leva como previsível, sem sentido. Certa noite, ao chegar em casa, toma uma overdose de medicamentos. Ao acordar num hospital psiquiátrico aos cuidados do doutor Blake (David Thewlis), descobre que terá poucos dias de vida.
Sarah Michelle Gellar provou ser incapaz de garantir o peso dramático suficiente ao personagem; além de inexpressiva e de sempre lançar o olhar sedutor quando dialoga com alguém do sexo masculino ( tudo bem que ela é gostosinha, mas cá pra nós ela não está em ‘ Segundas Intenções’) ela é responsável por uma das cenas mais constrangedoras do filme, quando se masturba tocando piano enquanto flerta com Edward( Jonathan Tucker), rapaz até então mudo devido um trauma no passado. A seqüência revela-se apelativa e beira o vulgar justamente pelas caras e bocas inadequadas da loirinha.

Além disso o filme se perde por conta do roteiro fraco que não explora os coadjuvantes ao ponto de nos convencer que são importantes no processo de melhora da saúde mental da protagonista, o que o filme tenta propor sem sucesso. O romance entre Veronika e Edward revela se artificial, assim como o contato frio e breve com o psicanalista. Os diálogos expositivos estão presentes em algumas situações; naquela a qual Veronika descobre algo importante sobre Edward – o que acabamos de descobrir segundos antes, e no momento da conversa com o doutor Blake após a cena do piano.

A narrativa ainda encontra outros empecilhos que somam pontos negativos. O uso de planos abertos na clínica psiquiátrica é exagerado, bastava filmar a fachada do local uma vez, mas a diretora parece que quer nos lembrar a todo momento que ali funciona a tal clínica. Metáforas clichês como a da ‘ pessoa afundando na água’ para simbolizar algo negativo’ e no sol nascente como mostra de esperança, e de que ‘ bons tempos que estão por vir’ também poderiam ser evitadas.
Não foi dessa vez que uma obra do mago pop star literário teve uma adaptação representativa no cinema.

Um comentário:

Sidnei Costa disse...

Interessante como Brasileiro adora falar mal de quem faz sucesso no mundo inteiro, é realmente os filmes nunca adaptados nunca são tão bons quantos os seus originais escritos, mas quanto ao mago pop star que só leva orgulho de nós brasileiros lá fora. Inclusive quando eu morava na Inglaterra fizeram um programa especial sobre o Paulo Coelho na BBC e falando muito bem dele. Bicho pra mudar a nóssa imagem lá fora e aqui dentro é preciso começarmos a reconhecer os nossos heróis e não dar tanto crédito ao cinema internacional, e fazer com o que o povo enxergue isso. Quando ainda que seja uma merda.