sábado, 4 de dezembro de 2010

Três Homens e uma Noite Fria


Rauno transborda em emoção ao cantar num karaokê, a letra da música diz “eu não invejo aqueles que tem uma vida dupla, as vezes acho que uma vida só é suficiente”. No filme ‘Três Homens e Uma Noite Fria’ do diretor finlandês Mika Karismäuki( da boa comédia O ciúme mora ao lado) três amigos com sérios problemas pessoais resolvem afogar as mágoas em um bar melancólico na véspera de Natal. A letra da canção traduz parte do drama desses homens em um filme não necessariamente triste. Rauno é um ator decadente e no leito de morte da esposa apanha do filho revoltado por desentendimentos do passado. Erkki é impossibilitado de ver o filho pela ex esposa e tem o interesse de “aprender a ser egoísta’’ para lidar melhor com as vicissitudes da vida. Marti vive as birras com a mulher mesmo quando ela está prestes a dar à luz.

O espírito natalino ‘contamina’ o filme, que não se distancia de outros dramas com temáticas natalinas em relação aos sentimentos propostos do período; como redenção, solidariedade, amizade, etc. A sequência das crianças cantando ‘Noite Feliz’é decisiva para que se possa notar uma atmosfera reconfortante mesmo quando situações inóspitas estejam no cerne da trama. O ‘lugar comum’, no entanto, não prejudica a obra. Três Homens e Uma Noite Fria é um filme agradável.



O tom opaco da fotografia que representa o rigoroso inverno do país escandinavo também preenche o aquecido bar freqüentado pelo trio e apesar do bom humor deles – garantido pelas generosas doses de Vodka, claro – as cores escuras ilustram a apatia e preocupação devido à angustia que os atormenta. O expressivo olhar de Erkki com terno e paletó igualmente escuros é representativo.


O número musical de cada um deles é, seguramente, um dos melhores momentos do filme. Cada música os representa de determinada forma e sintetiza as turbulências das suas vidas. Em determinado momento da apresentação de Marti ele declama com intensidade “você foi para outra cama”. Óbvia alusão ao fato de desconfiar (ou ter certeza) que fora traído pela esposa. As canções contribuem para a catarse de sentimentos. O dono do estabelecimento ao convocar a todo o momento uma nova apresentação, se transforma numa espécie de psicólogo, no qual ajuda o trio a expor os seus pesares, e o bar transforma-se num divã, ou uma espécie de “Associação de Desesperados Anônimos”. No desespero expresso nas letras das músicas, existe um fio de esperança. É Natal.


Assim como no recente O ciúme mora ao lado, Mika Karismäuki concebe um filme de bons personagens, diálogos inteligentes e situações curiosas. Apesar de ser um drama Três homens e Uma Noite Fria jamais desce ladeira a baixo no exagero melodramático. Este é um filme natalino, preenchido por sentimentos otimistas, solitários, agradáveis. No fundo do poço existe uma mola. Clichê? Sim, e daí?

Crítica publicada no site: http://www.cinemanarede.com/

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O cinema de Wong Kar Wai

Semanas atrás assisti alguns filmes da mostra Retrospectiva Wong Kar Wai na Caixa Cultural, e participei de um curso ministrado pela crítica de cinema Tatiana Monassa. Então, resolvi, postar um breve texto sobre o que foi apreendido da obra deste complexo cineasta. Apesar de não ter assistido todos os filmes dele, posso registrar minhas primeiras impressões:)


Aí vai..


No contato com um filme, o espectador se emociona ao mesmo tempo em que sua compreensão da obra está amparada na razão. A narrativa cinematográfica, na maioria das vezes segue uma ordem, um encadeamento dos fatos que exige compreensão analítica de quem assiste. E quando o (tal) encadeamento dos fatos praticamente inexiste? E quando a emoção dos personagens é o cerne, o dispositivo primordial no contexto fílmico? Esse é o cinema de Wong Kar Wai, cineasta nascido em Xangai e radicado em Hong Kong, cuja mostra foi exibida na Caixa Cultural, de 09/11 a 21/11. Foram exibidos 10 longas do diretor, além de debate e um curso sobre o cineasta com a crítica de cinema Tatiana Monassa.



Wong ganhou admiração e respaldo do público e crítica com um cinema inventivo, amparado em uma linguagem visual arrojada, na qual valoriza a câmera lenta, jump cuts (aceleração das imagens dentro de um mesmo plano, o que dá um efeito videoclip à cena) e cores vivas (muito néon). Tais recursos são cabíveis para explicitar a abstração de seus filmes, em voga devido à sua concentração em torno dos personagens, ou, para ser mais específico, da dor emocional e da angústia da existência dos personagens. Na obra de Wong a desilusão amorosa norteia a temática.

A dor da perda de um grande amor e a incapacidade de lidar com o mundo sem alguém especial ao lado são temas frequentes em seus filmes. Pode parecer brega – caso, principalmente, se levarmos em conta o machismo latino americano que ridiculariza o homem que sofre com a perda de alguém, o fulano com "dor de corno" etc – mas é um cinema basicamente emocional, sobre o amor. Personagens caminham num diálogo interior, fogem em busca de um recomeço, começam romances efêmeros para livrarem-se do passado infame...




Não existe preocupação com o roteiro (no sentido de contar uma história com ordem cartesiana e relação causa/efeito) nos filmes de Wong, eles não seguem a narrativa no sentido clássico. Como fora mencionado, o ordenamento lógico dos acontecimentos é secundário (ou talvez nulo), o estado de espírito dos personagens é o foco. Em Amores Expressos (1994) o policial lamenta o fim do relacionamento e come várias latas de abacaxi em calda, com a preocupação de que o prazo de validade da última lata coincida com a data do término, e questiona-se: “Será que algo no mundo não tem data de validade?”.

A relação metafórica com a comida é mostrada em Um Beijo Roubado (2007), único filme americano do diretor. O dono do bar (Jude Law) explica que a torta blueberry é a única que ao fim do dia está inteira, pois ninguém comprou uma fatia sequer. O personagem diz que não existe explicação para isso. É apenas sorte, casualidade.

Os paralelos com objetos físicos, tácteis – a comida, neste caso – é usada com frequência para exemplificar a relação entre os personagens. Em Amores Expressos, o cuidado do policial com o sapato da mulher que levou para o quarto, e, no mesmo filme, o zelo da garçonete com o apartamento do (também) policial do segundo conto.

Sem o convencionalismo que majoritariamente emperra os filmes sobre amor (sejam estes comédias ou melodramas), Wong Kar Wai ousa e confunde o espectador, com o turbilhão de imagens difusas que saltam na tela, e, numa leitura superficial, seus filmes podem ser considerados desconexos, lentos e até mesmo pretensiosos. A experiência cinematográfica, no entanto, é rica. E para cinéfilos (ou não cinéfilos) a importância da emoção é imensurável.
Texto publicado no site: http://www.cinemanarede.com

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Tetro

Roteiro e Direção: Francis Ford Copolla

Uma das instituições responsáveis ( talvez a mais responsável) para moldar o caráter de alguém é a família. Quando os critérios morais são deixados de lado na relação entre pais e filhos as conseqüências costumam ser nefastas. Depois da trilogia ‘Poderoso Chefão’, Francis Ford Copolla volta a destrinchar as nuances do ambiente familiar no excelente Tetro, filme pontuado por uma história densa e com aspectos visuais belíssimos.


No filme, Bennie (Alden Ehrenreich) viaja para Buenos Aires e reencontra o irmão Tetro (Vicente Galo) um ex escritor amargurado que insiste em esconder o passado, como ele mesmo diz, está “divorciado da família”. Tetro incomoda-se com a presença do irmão e com o fato do caçula investigar o seu passado. O bom roteiro de Copolla jamais vilaniza ou transforma o personagem Tetro em uma vítima indefesa; em determinado momento ele chama o irmão de ‘amigo’ na frente de uma garçonete e chama determinado amigo de ‘irmão’ na frente de Bennie, que fica claramente magoado com atitude insensível. O sujeito ranzinza, no entanto, revela-se carinhoso com a esposa, tem faro artístico – é admirado pelo irmão, pois costumava levá-lo para assistir ‘Sapatinhos Vermelhos’ no cinema, assim como óperas – e encontra-se claramente fragilizado devido ao misterioso passado que o atordoa.



A relação turbulenta entre Bennie e Tetro é personificada pelo excelente trabalho dos dois atores que compõem com eficácia a personalidade complexa e a inquietação dos personagens. O embate verbal entre eles é extremamente denso. (assim como discussões tão bem representadas na trilogia Poderoso Chefão e em Apocalipse Now )


Tecnicamente Tetro é impecável. O preto e branco da fotografia destaca belíssimas sombras que contribuem no destaque de semblantes dos personagens ( o detalhe me lembrou ‘Cidadão Kane’). Em determinada sequência, na qual Tetro discute com o irmão e a esposa, ambos aparecem no plano enquanto só a sombra de Tetro é mostrada. O plano possui beleza estética, e também é significativo no ponto de vista narrativo como metáfora, afinal aquele Tetro no momento da conversa esconde segredos, ele naquela ocasião expõe àqueles que convivem (e ao espectador) somente sua ‘sombra’, não a imagem verdadeira, não sua verdadeira alma. Em outro momento, o contraponto entre o vermelho de um vestido e o preto e branco, na cena de uma montagem teatral, se traduz numa bela cena.


É fato que o grande clássico da filmografia de Copolla é a trilogia Poderoso Chefão – com destaque para os dois primeiros – mas considero comparações infundadas, pois cada trabalho é responsável pela sua premissa. Tetro é um filme com densidade psicológica e um roteiro coeso com a estética intimamente relacionada à trama, o que não resulta num filme belo, porém vazio. Apesar de aparentemente não ter pretensões comerciais, não é um filme difícil, a narrativa é ágil e atrativa. Copolla entende de famílias conflituosas, e mais ainda, de cinema.
Crítica publicada no site: http://www.cinemanarede.com/

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Tropa de Elite 2

Direção: José Padilha

Roteiro: Bráulio Mantovani


No primeiro ‘Tropa de Elite’ a quase onipotência do BOPE era evidente. O “bom mocismo” (ênfase nas aspas) dos caveiras foi visto com bons olhos pelos espectadores, ávidos em repetir cada jargão do capitão Nascimento e companhia. O Batalhão de Operações Especiais da polícia do Rio de Janeiro parecia ser um antídoto contra a criminalidade. Quinze anos se passaram, e em Tropa de elite 2, a problemática não se estabelece apenas no confronto entre traficantes versus policiais, mocinho de um lado e um vilão feio, sujo e marginalizado do outro. O sistema corrupto cujos interesses políticos e econômicos são primordiais revelam uma sociedade(classe política, elite, classe média, etc) com valores espúrios. E para lutar contra essas adversidades não basta força física. Maduro, complexo e revelador, ‘Tropa de Elite 2’ está, certamente, entre os grandes filmes da história do cinema Nacional.

No filme, Capitão Nascimento (Wagner Moura, incrível) após uma mal sucedida operação em um presídio, passa a entregar a Secretaria de Segurança do Estado. Com seu perfil conhecidamente violento decide transformar o BOPE em uma máquina de guerra e expulsa traficantes de vários morros cariocas. O fato permite a ocupação desses morros por milicianos. Além dos problemas no trabalho, a vida pessoal de Nascimento encontra percalços na ‘distante’ relação com o filho e no confronto ideológico com Fraga, deputado Estadual com posições contrárias as dele, que é casado com sua ex mulher. O ator Wagner Moura mantém o tom viril, e sanguinário do Nascimento do primeiro filme, mesmo que não parta para o confronto físico, o ex Capitão ‘explode’ com surpreendente facilidade, o que fica claro em discussões ásperas com Fraga e o ex companheiro do BOPE Matias. O ator por outro lado, constrói um Nascimento, acuado, desiludido e inseguro ao, muitas vezes, ter que lidar com situações que jamais imaginara. Ter que confrontar um sistema corrupto, no qual o mesmo faz parte, como uma singela engrenagem.


Transformar o ‘super herói’ do primeiro Tropa de Elite em uma engrenagem do sistema é uma das principais virtudes do filme. Se antes as soluções pareciam pautáveis, hoje a complexidade dos problemas o atordoa, o diminui, e de certa forma, o humaniza. Como lutar contra grupos criminosos que atuam dentro do próprio Estado, da própria Secretaria de Segurança para proteger os milicianos que seriam úteis no processo eleitoral na conquista de votos para o Governador em questão? Como confrontar com os próprios paradigmas mediante ao fato de sempre olhar com desdém para aqueles que como o deputado Fraga, defende os Direitos Humanos; se a violência que usara estava( de certa forma) a serviço de um estado corrupto? Confuso, Nascimento rever certos valores e neste filme é um personagem menos arrojado, no entanto, mais maduro e ainda corajoso.

Padilha atenta também para o poder da mídia. O jornal que ignora certo assunto por causa proximidade das eleições. O apresentador de programa sensacionalista, ridicularizado pelo próprio Governador que precisa dele, pois o programa tem boa audiência. Estreitamento de relações nas quais fortalecem a máquina do Estado.

É estabelecido nos créditos iniciais: o filme é uma obra de ficção e qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Obviamente, como notou uma matéria sobre o filme no Jornal ‘O Globo’, um miliciano não dispararia tiros para o alto em um churrasco comemorativo em uma comunidade na presença do Governador e do Secretario de segurança; difícil acreditar que um policial reuniria o aparato do Estado para montar uma blitz no intuito de encher de pancada um Secretário de Segurança corrupto. Essas questões não são problemáticas. Afinal, é cinema, é imaginário. É triste constatar ( principalmente como morador do Rio de Janeiro), no entanto, que muitos dos personagens desta obra fictícia são reais e estão no poder.

Com excepcional técnica – excelentes cenas de ação, perfeito encadeamento das cenas com uma uma montagem competente que mantém o ritmo da narrativa mesmo com um roteiro tão intrincado – Tropa de elite 2 é um filme pessimista. O vilão é o Estado, pois os políticos são os condutores deste. Clássico.

domingo, 17 de outubro de 2010

Proibido fumar

Direção: Anna Muylaert
Roteiro: Anna Muylaert


Crônicas cotidianas são corriqueiras no cinema nacional. Em várias oportunidades surgem filmes com a proposta de retratar histórias de um ‘microcosmo social’ presente em uma cidade pequena, média ou em uma megalópole como São Paulo, revelando nuances do comportamento de pessoas. O convincente ‘Proibido Fumar’ da diretora Anna Muylaert insere se nessa linha ao abordar a história de uma professora de violão fumante que se apaixona pelo novo vizinho.



Baby (Glória Pires) é uma dona de casa estressada, que briga com a irmã por causa de um sofá que pertenceu a uma tia falecida e discute com a outra irmã (e vizinha de porta) por qualquer motivo aparente. Ela fuma vários cigarros por dia, o que de certa forma a tranquiliza. A personalidade turbulenta da moça ansiosa, que enquanto muda os canais da TV ( todos, ironicamente, com programas que incentivam o cuidado com a saúde) fuma um cigarrinho com ar de impaciência, é bem representada por Glória Pires, a atriz se entrega no papel e tem êxito com uma caracterização que faz jus à sua experiência em cena. O panorama ganha novos contornos quando Baby conhece o músico Max( Paulo Miklos) e por ele se apaixona. Max é um desses músicos de restaurantes cujo público não lhe confere devida atenção. Com a afinidade inicial, Baby resolve abandonar o cigarro e acredita na probabilidade viver um amor bonito e saudável. É revelado, então, o ponto alto do filme. O olhar cínico sobre relacionamentos.




Max não representa o ideário de um gentleman comum em comédias românticas ou romances clássicos. Apesar de mostrar-se carinhoso, dedicar uma música para Baby em uma de suas apresentações na noite paulistana, é um jeito que reclama do salmão oferecido no primeiro jantar a dois, por não conter molho e de quebra, elogia a habilidade da ex namorada( uma modelo de belas mãos) ao preparar o prato. As situações provocam rusgas no relacionamento com Baby, até então anestesiada com os primeiros acordes da ‘paixão’. Esses ganham respaldo com a química entre os atores.


Por outro lado, a inserção de uma reviravolta no decorrer da trama não funciona adequadamente, e soa artificial a tentativa de ambientar um suspense com o uso de câmeras de seguranças, e planos que sugerem que certo personagem está sendo perseguido. O roteiro explica o uso desses artifícios com situações posteriores, mas em relação à trama os mesmos revelam se dispensáveis.

O fato de Proibido fumar não ser amparado em um discurso anti (ou pró) tabagista reforça suas boas intenções. O cigarro aqui é visto (apenas) como válvula de escape para as vicissitudes do cotidiano; ao focar nos conflitos humanos dos personagens, mesmo que sem aprofundar, o filme acerta. Certas palavras, no entanto, deveriam ser remodeladas nesta “crônica”. Pelo bem do filme.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Amor à Distancia

Direção: Nanette Burstein
Roteiro: Geoff Latulippe

Dentre os gêneros cinematográficos a comédia romântica é o mais suscetível aos clichês. Ano passado ‘ 500 dias com ela’ trouxe certo brilho ao gênero com novidades na narrativa. Mas no geral as fórmulas se repetem, e mesmo que alguns filmes tenham bons momentos, são fadados ao esquecimento pois é difícil presenciarmos elementos novos, na narrativa ou no enredo. O filme Amor à Distância se enquadra no hall dos simpáticos, porém esquecíveis.



Erin( Drew Barrymore) tem 31 anos e trabalha como estagiária em um modesto jornal em Nova York. Insatisfeita com o rumo profissional decide sair para beber e encontra Garret( Justin Long). Os dois se apaixonam, mas Erin vai morar em São Francisco, e o que deveria ser um amor de verão, se transforma num namoro a muitas milhas de distância com eventuais idas e vindas para reencontros.


Um aspecto deve ser ressaltado. Os dois protagonistas são interessantes e extremamente divertidos, principalmente Erin uma mulher inteligente e charmosa que foge do padrão “mocinha certinha” pois bebe, fala palavrão e suja o rosto com comida enquanto come e conversa. Ela cativa o coração de Garret (e a simpatia do expectador) pela sensibilidade aliada à simplicidade.


Infelizmente o mesmo não se pode dizer dos coadjuvantes. A dupla de amigos de Garret é formada por sujeitos idiotas que soltam várias piadas de conotação sexual ultrapassadas. Em determinado momento um dos personagens aponta a maneira a qual Garret deveria ter chorado após o fim de um relacionamento recente. Ele insiste na piada que jamais soa convincente. A super protetora irmã de Erin e o marido, até merecem um destaque maior pela participação em uma cena hilária a qual Erin e Garret são flagrados transando. No mais, cumprem a função do típico elenco de apoio sem brilho, que aparece para oferecer um ou outro conselho à protagonista.


Algumas pessoas discordam, mas julgo necessária a boa construção de personagens mesmo em filmes considerados ‘leves’. A superficialidade deles, no caso de Amor à Distancia é determinante para o desenrolar da trama.


O excesso de viagens para reencontros amorosos torna a narrativa mais enfadonha, assim como as várias juras de amor dos protagonistas. Eles estão apaixonados, sim. E apaixonados são repetitivos, piegas. Isso, no entanto, não justifica os diálogos expositivos nos quais os personagens declaram a todo o momento o que o expectador já está cansado de saber, que eles se amam e sentem falta um do outro.


Os defeitos, por mais difícil que pareça, não fazem de Amor à Distância um filme execrável. A química dos personagens é boa, assim como algumas tiradas cômicas. No entanto, o fato de a produção não oferecer elementos novos devido a demasiada previsibilidade do roteiro, permite que a relação entre o expectador e o filme seja apenas um amor de verão, breve e efêmero.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Os normais 2

Direção: José alvarenga JR
Roteiro: Alexandre Machado / Fernanda Young


Não assisti ao primeiro Os normais , assim como não acompanhei a série televisiva. Ao comentar sobre Os normais 2 não terei o primeiro filme ou a série para fazer referência ou traçar algum comentário comparativo. Porém, na difícil experiência que passei ao assistí-lo, posso dizer. O filme é ruim, muito ruim.

Rui(Luís Fernando Gumarães) e Vani( Fernanda Torres) é o famoso casal, que vive uma crise conjugal por causa da insossa rotina estabelecida após 13 anos juntos. No intuito de apimentar a relação com um ménage a troi, os dois embarcam em uma insana busca pela companhia ideal para o momento íntimo. Dentre as pretendentes surge uma prima com vasta experiência no assunto, uma lutadora de kickboxing, uma bissexual rica e uma francesa misteriosa.


Graças ao sofrível roteiro de Fernanda Young que atenta propositalmente para o inverossímil,e que desanda por causa do excesso de diálogos infrutíferos e a infantilidade dos personagens, a aventura delirante cansa. Em determinado momento num banheiro feminino personagens conversam sobre crises no relacionamento e a protagonista utiliza um batom como lápis para desenhar no espelho um gráfico que relaciona o tempo de união ao período de desgaste. A idade das personagens na sequência varia entre os 20 e 40 anos, mas a impressão que fica é que ao entrar no lavabo elas regrediram para 14 ou 15 devido ao despejo de um arsenal de clichês de ‘guerrinha dos sexos’. Haja paciência.

A direção de José Alvarenga Jr, para piorar, é marcada por uma concepção visual semelhante a de programas televisivos( fato,aliás, muito comum em produções da Globo Filmes) com muitos closes e cortes abruptos o que confere ao filme aspectos deselegantes que não funcionam na linguagem cinematográfica. Por quê fazer um filme com cara de novela do Jorge Fernando?

Ao ter um posicionamento sobre um filme de comédia é preciso cuidado na identificação da proposta da obra. Sim, o filme foi feito para matar de rir aquele espectador que vai ao cinema sem o compromisso de assistir um clássico, ou mesmo uma comédia inteligente pontuada por diálogos sarcásticos ou referências políticas; é uma produção ‘leve’ e ‘ descompromissada. Estive atento a esse detalhe e o analisei como tal. Os normais 2, no entanto, trata o expectador como idiota com o exagero nos lugares comuns(escorregões, pancadas, trocadilhos manjados com conotação sexual, etc) e diante de todos os defeitos, não tem respaldo positivo mesmo com suas escassas pretensões.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Encontros e desencontros

Direção e roteiro : Sofia Coppola

Afirmar que assistir filmes requer atenção é cair na obviedade. Lógico que precisa de atenção. Obter um conhecimento breve sobre a premissa da história, e os trabalhos anteriores do cineasta também é útil para o espectador compreender os aspectos mais profundos da obra. Se há quatro anos o filme ‘ Encontros e desencontros’ me passou despercebido, hoje o considero incrível. O segundo trabalho da diretora Sofia Coppola tem uma história simples, com excelentes atuações e louvável ambientação.

Charlotte é uma jovem americana que acompanha o marido em uma viagem para Tóquio. Bob Harris é um ator que parte rumo a capital japonesa com o objetivo de gravar um comercial de whisky. Ambos se hospedam no mesmo hotel, e tem em comum, além da insônia, o fato de estarem insatisfeitos na vida conjugal. O marido de Charlotte devota extrema atenção ao trabalho, enquanto Bob e a esposa mantêm uma relação pacífica, porém fria. O encontro desses dois personagens permite uma transformação saudável na vida deles.

Encontros e desencontros é conduzido de forma meticulosa, com detalhes que merecem destaque. Os planos em expressões faciais que demonstram cansaço e insatisfação aparecem com frequência, como no cena em que Charlotte aparece na janela olhando para o horizonte ou a que Bob está sentado no bar, bebendo e dispensando conversas. Em determinado momento, quando o marido de Charlotte conversa com uma amiga “celebridade’’, fútil e extremamente efusiva o descontentamento de Charlotte é evidenciado com sutis movimentos corporais e olhares embaraçados nos quais demonstram que ela está totalmente deslocada em relação aquele contato e ao próprio casamento.

Vale ressaltar o excelente trabalho da atriz Scarlet Johansson que demonstra naturalidade ao conceber uma Charlotte contida, reservada, mas que não deixa de ser divertida e alegre nos momentos de boa companhia. Ou seja, quando encontra Bob, um parceiro mais velho, mas que além dos problemas pessoas, tem o senso de humor semelhante ao dela. Bill Murray o representa com maestria.

A ambientação do filme é caprichada . Os personagens caminham por uma Tóquio viva, e obviamente high tech, com boates e parques de jogos eletrônicos lotados de pessoas de vários tipos, ilustrando assim a densidade demográfica e diversidade cultural do Japão. Mas a carência afetiva e a solidão dos personagens os deixam ‘perdidos’ e alheios à tanta efervescência. Eles só se sentem bem e integrados ao contexto local quando estão juntos. Um completa o outro. Quando isso acontece, partem para a diversão e deixam a sisudez de lado para cantar num Karaokê completamente bêbados.

Sofia Copola atenta em conduzir a história com ênfase no desenvolvimento dos personagens. E tem êxito. Graças ao talento dos protagonistas em expressar sentimentos através de olhares e palavras e à narrativa lenta e cuidadosa que conduz Charlotte e Bob a passeios e boas conversas.

Um filme para ser assistido com atenção e devoção. Os detalhes de uma obra tão inteligente não devem ser ignorados.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Educação

Direção: Lone Sherfig


Roteiro:Nick Hornby, baseado nas memórias de Lynn Barber

Os desejos individuais afloram com intensidade no final da adolescência. Nesse período surge a necessidade de escolher uma carreira profissional e, em casos específicos, encontrar a pessoa certa para se apaixonar e viver uma história feliz emocional e financeiramente. Nem sempre o que se deseja é aquilo que a sociedade estabelece como importante ou ‘correto’. A oposição entre as aspirações pessoais e a educação familiar, escolar ou mesmo do contexto social de uma época é o tema principal do filme Educação da diretora Dinamarquesa Lone Scherfig, um drama sensível e envolvente.


O bom roteiro de Educação traz ao espectador a historia de Jenny( interpretada pela bela Carey Mulligan) uma jovem de 16 anos inteligente,culta que adora música e literatura francesa. Mas é entediada com a vida em um ambiente marcado pela cobrança do pai( Alfred Molina) que sonha em vê-la matriculada em Oxford, e o excesso de formalidade e sisudez do colégio. Certo dia conhece David (Peter Sarsgaard), um homem mais velho que apresenta para ela um mundo novo, com concertos de música clássica, leilões de arte e viagem para França. Lenny deixa a vida monótona, conservadora e embarca num universo sofisticado, com possibilidades de desfrutar do conteúdo artístico que gosta além de boas bebidas e cigarros franceses. As frustrações, no entanto, também fazem parte do pacote desse novo estilo de vida no qual a adolescente é inserida e a atriz Carey Mulligan representa com sensibilidade, uma menina que apesar da maturidade e inteligência ainda sofre com as angústias e dúvidas típicas da idade. É uma garota que se sente velha mas não muito sabia, como bem define em determinada passagem.


Os personagens secundários são um dos pontos fortes do filme com coadjuvantes sempre competentes. Peter Sarsgaard encarna um homem sedutor, educado, gentil mas cínico e que em alguns momentos destrata Jenny, o que põe em dúvida a devoção dele com a garota. Um personagem dúbio, sempre interessante. Alfred Molina está brilhante como um pai exigente, retrógrado e de opiniões machistas e antiquadas mas ao mesmo tempo afetuoso e sensível com a filha, o excelente trabalho do ator não caricaturiza o personagem e o transforma em uma figura sensível e até mesmo comovente.

Belas músicas, e uma fotografia com cores frias ao representar a atmosfera careta da casa de Lenny e um belo azul nas cenas na França, ajudam a compor um filme coerente com a sua proposta.


Deslumbramentos, dúvidas e decepções estão presentes em todas as fases da vida, mas na adolescência esses sentimentos são mais intensos. A rigidez formal de uma sociedade hipócrita e presa à convenções – na qual a diretora repreende a aluna por saber que ela namora um judeu ou vai se casar– é um dos fatores que desencadeiam o inconformismo da jovem. Em Educação, no entanto, Jenny aprende que a felicidade não chega tão facilmente quanto parece. Não bastam livros e músicas francesas.

domingo, 13 de junho de 2010

Onde vivem os monstros

Direção: Spike Jonze
Roteiro: Spike Jonze e David Eggers baseado no livro de Maurice Sendak.

Max é um menino de imaginação fértil que corre atrás do cachorro como se fosse um guerreiro e esconde-se dentro de uma casa de neve no intuito de proteger- se contra os inimigos; mas também é rebelde e sempre contesta o ambiente no qual está inserido. Ele encontra no imaginário um lugar repleto de oportunidades para tornar-se aquele que gostaria de ser, um rei. Max é uma criança como tantas outras, alegre, criativo e ao mesmo tempo contestador, raivoso, que faz birra com a mãe

Spike Jonze ( Quero ser John Malkovich, Adaptação) tem mais um trabalho excêntrico em sua filmografia.O filme Onde vivem os monstros(2009) é um mergulho no universo psicológico infantil, no qual as crises existenciais típicas de um garoto de 9 anos são representadas por um mundo paralelo repleto de monstros . Quando Max acorda num ambiente onírico habitado por criaturas peludas, grandes, e com características diferente s entre si – alguns são dóceis, carinhosos, outros mal humorados, agressivos, mas todos muito brincalhões e transgressores –, ele percebe que ali existe um grupo de ‘’seres’’ que o entende, ao contrário da pacata e entediante vida real, a vida dos adultos frios, distantes e indiferentes. Max entra em contato consigo mesmo.

Em Onde vivem os monstros o ex diretor de videoclipes Spike Jonze pontua muitas seqüências com músicas e o ritmo lembra o de um clipe musical dramático com planos próximos em expressões faciais dramáticas, uso da câmera lenta, e a câmera na mão em cenas de perseguição, como naquela que Max desce as escadas atrás do animal. O resultado dessa proposta é positivo, devido ao roteiro e à direção segura e competente, que é coerente ao guiar a história e os conflitos através do inocente olhar de Max. A fotografia e direção de arte compõem o cenário fantástico da historia com maestria. Os monstros e todo cenário são magistrais. Belos planos com árvores, galhos secos e dunas preenchem o filme.

Em suma, Onde vivem os monstros exibe a viagem de um garoto em busca da consciência das limitações e dos poderes que irão guiá-lo no mundo real, ou seja, é uma jornada rumo ao amadurecimento. Ele aprende que os monstros que existem dentro de nós têm muito a nos dizer, e todo aprendizado surge através da reflexão.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Pagando bem que mal tem.


Dois amigos de infância descobrem o vínculo amoroso na fase adulta. Eis um tema que fatalmente renderia uma comédia romântica açucarada como tantas outras, no entanto ,o filme Pagando bem que mal tem de Kevin Smith supera o lugar comum com boas doses de escatologia e os habituais diálogos “indecentes” da obra do diretor, a qual inclui títulos como Dogma e Procura-se Amy.

E vamos ao filme.Os amigos Zack( Seth Rogen) e Miri (Elizabeth Banks) dividem um apartamento decadente e estão atolados em dívidas. Para pagar as contas, além da luz e a água cortados em virtude de atrasos no pagamento, decidem gravar um filme pornô. Ambos convidam alguns amigos tão ( ou mais ) insanos para atuarem nesses filmes. A ‘filmografia’ roteirizada por Zack com títulos inspirados em clássicos do cinema e as cenas de sexo explícito desajeitado são engraçadíssimas.

No primeiro ato o humor escrachado com diálogos sacanas e ,obviamente, politicamente incorretos predominam na apresentação dos personagens . Zack é funcionário de uma lanchonete pouco freqüentada, preguiçoso e desbocado, bem interpretado por Seth Rogen , ele é responsável pelas principais seqüências cômicas, como no momento pelo qual corteja a recepcionista de uma festa esbanjando seu senso de humor peculiar; ou na conversa com um personagem( este aparece pouco mas considero um dos mais engraçados do filme) que revela-se ator de filme pornô gay. Aliás, vale destacar a sequencia em que o ‘ator’ discute a relação com o namorado.

Miri revela-se igualmente desajustada, bebe exageradamente e em determinado momento tenta um galanteio forçado e vulgar com um rapaz o qual se sente sexualmente atraída. Minutos depois, ao saber a profissão do rapaz, ela fica frustrada e vai beber.

O filme tem leve mudança de tom no segundo ato, pois a história ganha contornos românticos, com o inevitável enlace amoroso entre os protagonistas após a primeira transa. O enredo torna-se previsível mas sem escapar para o pieguismo, graças a boa safra de coadjuvantes que não deixam os aspectos non sense sumirem. Reparem na cena da ‘prisão de ventre’.

Em tempos de baixa no gênero, Pagando bem que mal tem é uma comedia que une o humor escatológico ao romance. E tem êxito.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Faixa de areia

Faixa de Areia

Dia desses zapeando os canais da NET paro no canal Brasil, e vejo que passa um documentário sobre praias. Com sorte, observo que acompanho os créditos iniciais. Comemoro. Vou assistir ao programa inteiro, era o que eu mais queria naquele momento. O documentário em questão se chama Faixa de areia.


O filme das diretoras Flávia Lins e Silva e Daniela Kallman extrai diferentes pontos de vista dos entrevistados sobre a ida a esse espaço entre o asfalto e o oceano. E os tipos são muitos. Casais que se conheceram e estão juntos até hoje, vendedor de quitutes que comprou casa e paga o estudo dos filhos com o lucro dos dias de sol, patricinhas que vão paquerar e ser paqueradas, playboys ,gays. Do leme ao pontal a idéia é interagir e se divertir.


Na fala dos entrevistados uma idéia persiste. A praia é um espaço democrático. É lá onde ricos e pobre se misturam com o mesmo propósito. Bebem, comem, riem, tomam banho de mar, pegam jacaré. A entrada é franca, não existe muro de concreto para separar os granfinos da Avenida Atlântica e Vieira Souto da ''massa'' que vem do subúrbio ou da baixada. Mesmo sem a presença de uma barreira física, no entanto, é evidente a divisão entre os vários tipos que freqüentam o lugar. Cada tribo tem o seu espaço, os gays no posto 9 de Ipanema, os mauricinhos e patricinhas no posto 10, os suburbanos no outro lado, de preferência longe.


Na praia do Flamengo, uma mulher elogia o local por ser tranqüilo e ter muitas famílias; quando questionada se a incomodaria se ônibus vindo do subúrbio parassem naquele ponto, ela foi enfática: " incomodaria sim''. A moça reclamou que seria ruim dividir o espaço com pessoas sem educação e crianças que correm jogando areia para todo lado. Ela com uma sinceridade assustadora ainda levantou uma questão. '' não tem o piscinão de Ramos? Por que eles não vão para lá?''.


De maneira sutil, sem esbarrar no clichê hipócrita e politicamente correto do ''rico opressor x massa trabalhadora oprimida e discriminada'', 'Faixa de Areia' convida o espectador para uma reflexão. Afinal, até que ponto a praia é um ambiente democrático? Pode ser considerado democrático um lugar cuja população rica, instruída se divide daquela com renda (status quo ) inferior por não compreender e (ou) não aceitar seus hábitos?


Não existe maniqueísmo em ' Faixa de Areia' ; antes de mais nada ele faz uma ode às belas praias do Rio de Janeiro desde as famosas e badaladas Copacabana, Ipanema,Arpoador e Barra até a belíssima e quase deserta Grumari. Em um espaço heterogêno, as diferenças sociais e ideológicas existem e são evidenciadas com a proximidade e o contato humano, quando os conflitos vem à tona. As documentaristas filmam, e observam esta interrelação com sábio distanciamento. Belo documentário esse Faixa de Areia.

Veronika decide morrer


Veronika decide morrer ( 2009 )Direção: Emily YoungRoteiro: Larry Gross, Roberta Hanley.
Algumas adaptações para o cinema são fiéis aos livros e costumam agradar aos fãs das obras literárias - que insistem na idéia equivocada de compará-las com o filme, como se existisse a possibilidade de um livro ser melhor que o filme ou vice versa - outras são polêmicas, não são tão fiéis o que não quer dizer que sejam ruins. Ainda não li ‘Veronika Decide Morrer’ do Paulo Coelho, mas o filme da diretora Emily Young, carece de uma protagonista talentosa, um bom roteiro e direção competente. Resultado: Eis uma adaptação que não funcionou.

Veronika( Sarah Michelle Gellar) é uma bela jovem, com um bom emprego e que mora num confortável apartamento em Nova York. Porém ela não é feliz, julga a vida que leva como previsível, sem sentido. Certa noite, ao chegar em casa, toma uma overdose de medicamentos. Ao acordar num hospital psiquiátrico aos cuidados do doutor Blake (David Thewlis), descobre que terá poucos dias de vida.
Sarah Michelle Gellar provou ser incapaz de garantir o peso dramático suficiente ao personagem; além de inexpressiva e de sempre lançar o olhar sedutor quando dialoga com alguém do sexo masculino ( tudo bem que ela é gostosinha, mas cá pra nós ela não está em ‘ Segundas Intenções’) ela é responsável por uma das cenas mais constrangedoras do filme, quando se masturba tocando piano enquanto flerta com Edward( Jonathan Tucker), rapaz até então mudo devido um trauma no passado. A seqüência revela-se apelativa e beira o vulgar justamente pelas caras e bocas inadequadas da loirinha.

Além disso o filme se perde por conta do roteiro fraco que não explora os coadjuvantes ao ponto de nos convencer que são importantes no processo de melhora da saúde mental da protagonista, o que o filme tenta propor sem sucesso. O romance entre Veronika e Edward revela se artificial, assim como o contato frio e breve com o psicanalista. Os diálogos expositivos estão presentes em algumas situações; naquela a qual Veronika descobre algo importante sobre Edward – o que acabamos de descobrir segundos antes, e no momento da conversa com o doutor Blake após a cena do piano.

A narrativa ainda encontra outros empecilhos que somam pontos negativos. O uso de planos abertos na clínica psiquiátrica é exagerado, bastava filmar a fachada do local uma vez, mas a diretora parece que quer nos lembrar a todo momento que ali funciona a tal clínica. Metáforas clichês como a da ‘ pessoa afundando na água’ para simbolizar algo negativo’ e no sol nascente como mostra de esperança, e de que ‘ bons tempos que estão por vir’ também poderiam ser evitadas.
Não foi dessa vez que uma obra do mago pop star literário teve uma adaptação representativa no cinema.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sim Senhor (2008)


Sim Senhor

Direção: Peyton Reed


Roteiro: Jarrad Paul, Andrew Mogel e Nicholas Stoller, baseado em livro de Danny Wallace




Após um bom tempo longe do gênero que o consagrou, seria bom ver o Jim Carrey em mais uma comédia com todas as caretas e trejeitos que o astro conquistou o direito de exibir em filmes como ‘ O máscara’ ‘ Debi e Lóide e ‘Ace Ventura’. Infelizmente, seu novo filme, Sim Senhor, é bastante irregular e não funciona nem mesmo como uma comédia ‘assumidamente idiota’.


Jim Carrey é o pessimista e baixo astral Carl Allen, que decide aderir ao princípio de um programa de auto-ajuda que consiste em dizer ‘Sim’ para tudo e qualquer coisa. O amargo Carl se transforma numa pessoa ‘positiva’ e simpática, que chega ao ponto de dá carona a um mendigo até um local distante e ainda permiti-lo falar no seu celular até a bateria do aparelho descarregar. Ele também se apaixona por uma garota aventureira, que se diverte correndo todos os riscos possíveis, e passa aceitar todos os tipos de convite que antes recusava. O inegável talento de Carrey não impede os tropeços do filme, que insiste nas convenções do gênero e nos personagens que já não são engraçados, estão presentes os ‘ escorregões espalhafatosos, a velhinha tarada que usa dentadura, e o amigo( nesse caso o chefe de Carl) bobo e sem graça.


Além disso a narrativa não flui, pois o roteiro não oferece muitas situações, que justificam o atual estado de Carl, com a comicidade necessária. Durante um encontro com os amigos num bar, por exemplo, Carl paga cerveja para todos, fica bêbado e arranja briga com um brutamente ao beijar a namorada dele. A cena da briga se revela artificial, longa e jamais engraçada. Em outra situação,o protagonista enche o rosto de durex e faz caretas, o sentido dessa cena existir não fica claro, a impressão imediata é que ela está ali simplesmente para avisar "Tacharam Jim Carrey está de volta" . O filme é despretensioso sim, mas o abuso de lugares-comuns e a artificialidade do roteiro dificultam o seu principal objetivo, fazer rir.


Sem os divertidíssimos apelos non sense de produções passadas, com um roteiro insosso e burocrático que jamais explora as situações engraçadas( ou que deveriam ser) com inspiração ‘ Sim senhor ‘ é uma comédia que não consegue, ao menos, ser idiota. Em se tratando de um filme com Jim Carrey, isso não é nada bom.

terça-feira, 9 de junho de 2009

O Lutador ( 2008 )

O Lutador( The Wrestler) – 2008
Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Robert D Siegel

Após uns 10 minutos numa locadora , uma mulher entra agitada e esbraveja­: __ Esse filme é muito ruim; ninguém lá em casa conseguiu assistir, um foi para o computador, outro saiu de casa. Ao prestar atenção ao filme que ela entregara, visto que fiquei curioso com a ofensiva exagerada, constato que ela estava se referindo ao excelente ‘O lutador’.

Na maioria das cenas de ‘ O lutador’ a câmera segue atrás do protagonista, plano que sugere a sua iminente entrada apoteótica num ringue . Infelizmente, o outrora famoso Randy Carneiro( Mickey Rourke), hoje ganha míseros trocados em lutas sem glamour e sofre com o ostracismo. O drama do diretor Darren Aronofsky( Réquiem para um sonho) conta de forma sensível, a comovente história de um homem apaixonado por lutas, mas sem força mental para superar as mudanças amargas dos novos tempos. Ao sofrer um infarto e ficar impossibilitado de lutar, Randy busca um rumo para a nova etapa da sua vida. Longe dos ringues; ele busca afeto na dançarina Cassady ( Marisa Tomei) e na filha Stephanie( Evan Rachel Wood) que tinha abandonado.

O roteiro de Robert D Siegel, oferece situações que deixam clara a indiferença, e o desprezo que as pessoas do contato diário têm com o ex astro; ao chegar no escritório de um gerente de supermercado e pedir emprego; Randy é obrigado, de forma humilhante, a voltar e bater na porta antes de entrar. Em outra situação, que demonstra o perfil anacrônico do protagonista, ao jogar vídeo game com ele, um garoto reclama que o jogo é “ tão antigo” e prefere um da guerra do Iraque. A brilhante interpretação de Mickey Rourke, faz com que o imponente Randy, que pouco sofre ao ter grampos tirado do corpo ensangüentado após uma luta encenada; seja ao mesmo tempo um homem carente, fragilizado e inseguro.

Apesar do bom encaixe de situações, que ilustram bem o perfil psicológico de Randy e o desencadeamento dos fatos, o roteiro peca ao focar de forma superficial a sua relação com a filha, e cai no clichê da ‘’filha que reclama do pai que falta aniversários’’. A pequena falha não compromete a narrativa, a atuação de Mickey e o bom roteiro ( apesar do deslize) impedem que o filme se transforme num dramalhão. Além disso, vale ressaltar o primor da fotografia escura e granulada que permite a perfeita visualização do ambiente desagradável e sujo que os personagens estão inseridos; a dançarina de boate, pela qual se apaixona, trabalha para garantir sustento ao filho mas não está feliz na atividade profissional.

A escolha dos planos e excelentes imagens, na comunhão da fotografia com a direção, são eficazes para compor a narrativa. Os planos fechados em imagens fortes e violentas durante as lutas, quando por exemplo Randy corta o próprio supercílio para tornar o show no ringue mais atrativo, se contrapõem ao close em seu rosto, quando chora num encontro com a filha; o que exibe o complexo ‘ estado de espírito do protagonista em duas situações distintas.

O diretor Darren Aranofsky, tem mais um belo trabalho em seu currículo, mas isso não seria possível sem o excepcional Mickey Rourke. Seu personagem é arremessado em cima de arame farpado, toma socos e pontapés enquanto está no chão banhado de sangue mas garante que o único lugar onde se machuca é fora do ringue. O melhor de tudo é que ele nos convence disso.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Ponto Final - Match Point


Ponto Final - Match Point (2005)
Direção e roteiro: Woody Allen


Um drama romântico com casamento, juras de amor e traição. Um suspense com referências ao clássico Crime e Castigo de ‘ Dostoievesky’. Sim, estou falando do mesmo filme. O irresistível Ponto final – Match Point , primeiro longa de Woody Allen rodado na Inglaterra, tem como protagonista Chris(Jonathan Rhys Myers),ex jogador de tênis, um jovem competitivo e ambicioso que passa a frequentar a alta sociedade inglesa. Ele se casa com Chole( Emile Mortiner) mas se apaixona por Nole( Scarlett Johansson), noiva do seu melhor amigo.


Na primeira cena do filme uma bola de tênis, em plano fechado na bola e na rede, passa de um lado para o outro da quadra, destaque para o eficiente uso da câmera lenta que reforça a mensagem que o diretor quer passar, ao bater no topo da rede ela cai para um dos lados da quadra, e determina o ponto para um dos jogadores. Pode-se dizer que Chris teve a ‘ sorte grande’ ao ter como esposa uma mulher rica e conseqüentemente um excelente emprego na empresa do sogro. Mas ele não resiste à beleza e sensualidade de Nole e se apaixona por ela. A sorte ou o azar que são, muitas vezes, determinantes numa partida de tênis, servem para guiar a vida real. Chris acredita nisso, mas não espera que ela caia do céu. A cena em que ele joga tênis de mesa com Nole, que pouco domina o jogo, e rebate a bola com extrema força ilustra bem o perfil competitivo do protagonista. Ele não aceita perder. O diretor repete na mesma cena por pouquíssimos segundos, o mesmo plano fechado na bola e na rede, o que reforça à analogia entre sorte e azar serve e como pista para um momento importante do final.


Além de caprichar na escolha de planos e movimentos de câmera que são determinantes para revelações importantes - vale ressaltar que o plano detalhe no livro ‘Crime e Castigo’ não acontece por acaso - o filme tem uma bela fotografia, com tons que variam do amarelo do verão londrino ao azulado e branco do inverno. Em duas situações em que Chris e Nole estão juntos, o plano fechado na janela é o mesmo, mas enquanto em um dia chove no outro neva. Além da plasticidade, a cena é importante do ponto de vista narrativo pois estabelece a passagem de tempo de forma sutil.


O brilhante roteiro de Woody Allen foca, inicialmente, no dilema do personagem central; ele está divido entre estabelecer uma relação segura com a esposa metódica( e,mais uma vez, rica), que tenta engravidar a todo custo, e a paixão avassaladora pela amante. No último ato a história ganha um rumo surpreendente. Novamente o perfil competitivo de Chris vem a tona e após a decisão que o faz pôr fim ao dilema pessoal, a história ganha tons de um bom suspense psicológico.


Outra vez temos a oportunidade de assistir mais um belo trabalho de Woody Allen. Personagens interessantes, belas paisagens, e um roteiro complexo, porém coeso ilustram o filme. Em Ponto Final – Match Point, a sorte está em jogo. A oportunidade de a bola cair no lado certo existe. No entanto, assim como numa partida de tênis, na vida real é necessário ter talento para o êxito e, acima de tudo, fazer as escolhas certas.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Um flerte com a literatura



De Vampiro a Saci – O Universo fantástico de André Vianco.



Quando era atendente de uma empresa de cartão de crédito, André Vianco tinha como hobby escrever nas horas vagas. Hoje, é um autor de sucesso e figura reconhecida no gênero literatura fantástica onde os protagonistas são vampiros, anjos decaídos, e até mesmo personagens do folclore brasileiro como Curupira, Boitatá ou uma versão Hi –Tech do Saci.Numa entrevista concedida antes de sua palestra no ‘ Papo Gama’, evento realizado pela empresa Gama JR na Universidade Gama Filho da Barra, o autor de ‘ Os sete’, ‘ O Senhor da Chuva’ e do mais recente ‘ O caminho do poço das lágrimas’ comenta, dentre outros assuntos, de onde tira inspiração para escrever suas histórias, as inevitáveis comparações com o autor Stephen King e a otimista incursão no mundo do cinema.


· Entregador de Pizza aos 14 anos, redator de rádio aos 16, atendente de empresa de cartão de crédito. Pelo visto as reviravoltas não estão presentes apenas nos seus romances, mas também na sua vida. Como foram essas reviravoltas?
Foi de certa forma tranquilo, porque nunca me limitei a um momento. Eu sabia onde eu queria chegar, eu sabia que queria ser escritor, ligado a essa área de entretenimento, de arte. Aos 16 eu fiz uma entrevista na radio jovem pan e por ser menor de idade elas não queriam receber o meu teste. Mas alguém leu o que eu tinha escrito e disse, ‘’chama esse cara pra trabalhar com agente’’ai comecei a trabalhar com jornalistas da Jovem Pan fm. No final de semana eu fazia plantões, ai conheci o pessoal da am e o método de trabalhar da am, desde então minha paixão por letras foi crescendo. Quando comecei a trabalhar na empresa de cartão de créditos, ao chegar em casa meu hobby era escrever. Continuei escrevendo historias, no fundo no fundo, tendo publicado ou não eu sabia que seria um escritor. Acabei publicando livros com meus próprios meios e com isso fiz sucesso. Com divulgação de ‘boca a boca’ meus livros começaram a vender bem, a partir daí uma editora se interessou.

·
Você já afirmou que é eclético, gosta de vários gêneros literários. O que mais te fascina na literatura fantástica para você ter optado pelo gênero ?
O que mais me fascina é o mistério e o inexplicável, eu queria fazer parte disso. Tem alguns mestres, o Stephen king, aqui no Brasil o Monteiro Lobato o Loyola Brandão que é um cara do realismo fantástico, tenho muitas fontes também do cinema. Sou um apreciador de histórias de fantasia e terror do cinema. As coisas se cruzam, hoje no Brasil é muito próximo a carreira de escritor e a de roteirista de cinema diferente daquele padrão norte-americano bem sindicalizado e segregado.


“ Quando comecei a trabalhar na empresa de cartão de crédito, quando chegava em casa meu hobby era escrever”


· Além das notícias do Jornal Nacional, que você falou que serviram de inspiração para escrever o livro ‘Sementes de Gelo’,o que mais te inspira na idealização de fantasmas, vampiros e anjos em terras brasileiras ?

O dia a dia, não tem uma fonte precisa. As vezes uma conversa de boteco, o jeito que a pessoa fala, o contato com telejornais, documentários. A mente do escritor é uma esponja acaba absorvendo, uma hora existe uma sinapse, uma ligação das coisas dá um estalo e você fala “ ah tem uma história assim “

·
As lendas urbanas também são importantes
De certa forma sim, o brasileiro gosta muito do caos, gosta muito deu ma lendinha e a gente tem um folclore muito rico ai as coisas acabam se desdobrando assim. Apesar da maioria dos meus livros serem sobre vampiros, as historias se passam no Brasil . Em muitos deles você encontra elementos fantásticos do folclore brasileiro como o Boitatá o Curupira o Saci, mas não aquele Saci da escola tal, mas de outro jeito com uma repaginada, versão 2000. É importante, também, alem de não esquecer a nossa fé não esquecer as nossas lendas.


“ A mente do escritor é uma esponja”


·
Você gosta de ser comparado com o Sthepen King?
Não me importo, mas depende como a pessoa compara, algumas pessoas são maldosas outras já enxergam o que há de bom nessa similaridade, que acho que é mais de gênero que de método ou de forma. Não me incomoda porque ele é um grande mestre de fantasia, de drama, de mexer com sentimento que é o que busco, não é só um cara do terror.

· Você já leu Crepúsculo ?
Não li, assisti o filme.

· Gostou?
Com reservas, pra mim funciona muito bem porque as pessoas lêem o livro da Stephenie Meyer e acabam procurando outros livros de vampiro, mas eu acho que é bem adolescente, bem água com açúcar, mas é o estilo dela e do público leitor dela. Sucesso, parabéns e só está me ajudando.

· Levantar fundos para produzir um filme no Brasil não é fácil, mas você deseja transportar suas narrativas para o cinema inclusive já roteirizou ‘A Casa’ que está em ‘pré-produção’. Como está sendo sua entrada no universo cinematográfico?
A passos lentos, mas eu acredito que vai ser muito parecido com minha entrada na literatura, devagar porém pontual. Quando eu tiver fazendo cinema as pessoas vão prestar mais atenção nas historias e vão falar ‘’ ah quero fazer outro ‘’ como a editora novo século fez.. É bem difícil angariar verbas para uma produção de mainstreen mas eu não tenho nada contra as fitas de baixo orçamento. Então o meu caminho vai ser esse.

· Apesar dos muitos obstáculos você ainda acredita que seu sucesso na venda de livros se repetirá no cinema?
É Imprevisível, mas eu levo fé, como levei na literatura ,que vai acontecer. Na literatura eu tive uma surpresa gigantesca. Não imaginava que em tão pouco tempo fosse alcançar tantos leitores e no cinema tem uma vantagem de alcançar mais pessoas. Normalmente quando você vai ao cinema você não vai sozinho. Você chama a namorada, ou os amigos. Vai alcançar mais gente, eu não tenho medo do público, meu medo é conseguir colocar isso na mídia certa e chegar para o cinema.

·
Você já participou de eventos em várias cidades de São Paulo,Fortaleza , aqui no Rio. Como você avalia, pelo contato pessoal, a relação do público com a sua obra?
É muito quente, muito próxima e surpreendente as pessoas levam 3, 4 , 10 livros para serem autografados. Tem uma paixão pelo que está escrito ali, são mais que leitores são fãs do autor. Eu não imaginava que ia ser assim. A receptividade dos leitores é muito grande, é muito bacana.

domingo, 18 de maio de 2008

Cinema e Jornalismo

Apurar, apurar e apurar

Bob Woodward. Jornalista Inexperiente, nove meses no Washington Post. Desacreditado pelo carrancudo editor chefe que o considera um mero repórter que escreve sobre ‘’ratos em restaurantes’’. O faro investigativo, no entanto, o faz desconfiar que o assalto à sede do partido democrata não foi um incidente qualquer. A editoria do Washington Post concorda em deixar o ‘ caso Watergate’ com Bob e o mais experiente Carl Bernstein. A dupla consegue um dos furos mais famosos da história do jornalismo.
A investigação do escândalo Watergate por um órgão da imprensa é mostrada de forma minuciosa no filme 'Todos os homens do presidente' de Alan j Pakula. Os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, interpretados por Robert Redford e Dustin Hoffman, se empenham na apuração dos fatos. Os dias em claro são muitos, entrevistas concedidas, entrevistas negadas, boas pistas, outras nem tanto e a famosa fonte anônima conhecida como ‘ garganta profunda’ fazem parte do dia a dia dos profissionais incansáveis e empenhados em encaixar todas as peças de um intrincado quebra-cabeça.
Apesar do ceticismo de um editor chefe extremamente cético e desconfiado, como manda a cartilha do bom jornalismo, a dupla não desiste; e com o auxílio da fonte anônima e de vários depoimentos, muitas vezes cedidos depois de muita insistência; eles conseguem provas suficientes para comprovar o envolvimento da cúpula do partido Republicano no escândalo Watergate.
Após a publicação da matéria o re-eleito presidente Richard Nixon renuncia. A cobertura jornalística do caso Watergate, ilustrada com maestria no filme, não é famosa por acaso. A maratona estressante e incansável que levou a comprovação das suspeitas é exemplar no que diz respeito ao jornalismo responsável, ético. Bob e Carl, foram eficientes na investigação pois ignoraram a pressa na publicação da matéria,em busca da veracidade mesmo que tardia. Apurar, apurar e apurar. Eis a função do jornalista investigativo.


quinta-feira, 17 de abril de 2008

Salvem o cinema da TV

Os franceses estão reclamando no cinema deles daquilo que mais irrita os cinéfilos brasileiros no nosso. A invasão do formato televisivo para a telona. Muitas vezes ao invés de assistirmos filmes, vemos novelas de uma hora e meia, ou programas que se funcionam muito bem na telinha o mesmo não ocorre na sala de projeção. A Grande família é bobinho, sim, mas com os sensacionais Marco Nanini e Pedro Cardoso funciona muito bem, e se não é marcante garante boas risadas. No cinema o programa é o mesmo, e a historia curta vira um filme longo cansativo cujas piadas se repetem e o roteiro não vai a lugar nenhum. O que dizer de ‘ Casseta e Planeta’? Se nem o programa é lá essas coisas o filme é pior ainda; ainda tiveram a infelicidade de fazer uma continuação. Não de ' Olga' piegas, sonolento mas que daria certo como uma mini-série de época. Em entrevista para o programa Conexão Roberto D’Ávila, o diretor Daniel Filho, disse que ao pensar num filme que vai dirigir, leva em conta que utiliza dinheiro público, logo deve ter ‘ responsabilidade’ com a verba, e dessa forma produzir um programa para toda família; ou seja ,um misto de malhação, turma do Didi, duas caras, zorra total por ai vai.
Na França, reclamam que o cinema de autor, reconhecido e tradicional no país da novelle vague, perde espaço para o cinema comercial, devido a tv e a interferências do Governo que tem privilegiado os blockbusters do velho mundo. Chamou atenção essa ‘’novidade’’, jamais imaginaria que uma espécie de “Rede globo francesa”, e a ajuda da interfência estatal fosse bater de frente com os filmes sisudos e cabeçudos( no bom sentido). Os franceses tiveram uma formação cultural sem a constante presença dos folhetins , rádios novelas e das atuais tele-novelas logo é impossível pensar num cinema brasileiro com um impacto cultural similar; mas dos poucos filmes que chegam do nosso cinema às salas de exibição, a maioria segue o padrão televisivo. Isso é lamentável. Nosso cinema de massa é conservador, redundante, esquemático, caricato; como bem frisou Arthur Xexéu na coluna dele do Jornal ‘ O Globo’.] “A crise está aqui”.


O cinema nacional precisa de identidade. O público está condicionado às mesmisses televisivas, logo o cinema repete os mesmos vícios e assim garante bilheteria razoável. No argumento de fazer "bom uso do dinheiro público destinado a cultura" Daniel Filho e outros cineastas sustentam o círculo vicioso que não tira nosso ' cinema comercial ' do marasmo. Pelo fim da crise, e pelo surgimento de um cinema ' comercial , blockbuster, com carinhas globais(porque não) mas acompanhado de experientalismo, criatividade, e o mais importante QUE SEJA CINEMA.